domingo, 25 de outubro de 2015

TAIPA - MURILO SANTOS

Estou de volta ao blog para publicar uma série de entrevistas com artistas maranhenses ou radicados no Maranhão, tendo como foco uma ou duas obras significativas de suas produções, de forma contribuir com a socialização da historiografia artística maranhense, bem como do seu acervo visual. A primeira dessas entrevistas é com Murilo Santos sobre a sua obra Taipa, e foi mediada por Adriana Tobias. 

Porém, antes da entrevista, reproduzo um fragmento do artigo de VIEIRA COSTA, Gil. Estética assombrada: um olhar sobre a produção artística contemporânea na Amazônia brasileira quatro assombrações. Publicado na REVISTA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARTES DA EBA/UFMG: Pós: Belo Horizonte, v. 4, n. 7, p. 117 - 130, maio, 2014.




Taipa se situa no limiar confuso entre escultura, fotografia, pintura e instalação. Como o título sugere, a obra é uma parede de taipa de mão (técnica de construção rudimentar que usa barro e madeira, também conhecida como pau-a-pique), com pouco menos de dois metros de altura e um metro de largura. A taipa é signo da desgraça de um povo que, sem melhores condições de moradia, desenvolve seus próprios artifícios para responder às necessidades cotidianas. Também é um fragmento do real trazido para a exposição: uma realidade precária. Murilo Santos se apropria da materialidade amazônica, como forma de testemunhar suas modernidades.

Mas, além da forma, a obra traz em seu próprio conteúdo o discurso sobre as questões amazônicas. Nessa parede de taipa o artista gravou, em tamanho natural e em alto contraste de preto e branco, a imagem fotográfica de quatro assombrações. Uma mãe e suas três crianças nos olham de frente, estáticos, paupérrimos, como se fossem eles próprios feitos de pau-a-pique, construções frágeis e vítimas de processos excludentes que se amontoam no decorrer das décadas. Está presente ali uma maldição familiar, herança repassada de geração em geração, como se já estivesse no próprio sangue daquelas visagens humanas. A família que nos observa em Taipa é testemunha do delito: na Amazônia, uma modernidade problemática que traz exclusão e morte. 
Falando agora sobre a entrevista, a obra Taipa, sempre despertou em mim uma grande admiração pela sua inovação técnica e pelo enfoque de temática social, bem como outros aspectos evidenciados na entrevista. Desse modo, enviei as seguintes perguntas para Murilo Santos:

01)   QUAL FOI A MOTIVAÇÃO INICIAL PARA A PRODUÇÃO DESSE TRABALHO?
02)   QUAL A ORIGEM DA FOTO USADA NA PROJEÇÃO?
03)   QUE EQUIPAMENTO VOCÊ USOU PARA FAZER A PROJEÇÃO?
04)   VOCÊ MESMO FEZ A TAIPA (FRAGMENTO DA PAREDE)?
05)   PARA QUE EVENTO FOI PRODUZIDA ESSA OBRA?
06)   ELA FOI PREMIADA?
07)   COMO ELA PASSOU A PERTENCER AO ACERVO DO MUSEU?
Temos abaixo a resposta 01, enviada por ele. E como comentou Adriana Tobias " responde praticamente todas as perguntas".

RESPOSTA 01 - Na época havia uma atmosfera no nosso universo artístico de busca de novas dimensões para as expressões então trabalhadas, fotografia, teatro, etc. Acho que o exemplo da fotografia nesta obra expressa essa busca. É bom saber que a experiência de “Taipa” e outros trabalhos semelhantes que fiz, não representava e não queria que fosse interpretada como uma terceira expressão, digamos assim. Ou seja, uma formulação de proposta que estaria entre a pintura e a fotografia. A intenção era a de manter a obra ancorada na fotografia e experimentar fugir do suporte habitual para mostras que era até então o papel fotográfico. Digo “até então”, pois temos hoje o suporte digital. Com essa obra, com esse conceito, não me senti fugindo da fotografia, da representação do real pelo dispositivo fotográfico.
Porém, na descrição da obra, exigida para a exposição a que ela foi produzida, para o I Salão Maranhense de Artes Plásticas, em 1978, foi: “Reprodução através de pintura e de fotografia sobre cimento”. A descrição da ação física, digamos assim, e dos materiais utilizados, não descrevem exatamente a proposta. O processo técnico utilizado foi: produzir uma foto, tomar a película em negativo e copiá-la em película de alto contraste para eliminar os meios tons, obtendo consequentemente um positivo. Depois desse processo, utilizando um projetor de slides fotográficos, projetar a imagem no painel de taipa. Taipa é um termo regional para a técnica construtiva conhecida em outras regiões do Brasil como pau a pique. A projeção da imagem sem meios tons é como se fosse um mapa e desta forma a pintura torna-se mais fácil. É só pintar as “regiões” do mapa, no caso, as áreas em preto. Utilizei essa técnica em parede de grandes dimensões, mas a proposta na obra em questão foi gerar uma textura pertinente ao tema da foto e “tatuá-la” com uma imagem de seu próprio universo.
O cimento foi utilizado, pois o barro não se sustentava no painel. Lembro que as varas foram adquiridas no Porto de Roma, no bairro da Fé em Deus, onde esse material era vendido para construção de cercas e de casas.
A lamparina adicionada foi questionada por alguns que a consideravam um apêndice não coerente com a escultura, digamos assim, da superfície do painel. Entretanto, ela representa um elemento que possui talvez significado mais pessoal. É um elemento pertinente e ao mesmo tempo externo ao quadro, mas foi necessária à minha própria compreensão daquilo que produzi. É pertinente, pois é um elemento que remete à ausência da luz elétrica e essa ausência, assim como a própria taipa, simboliza a condição de grande parte da população, representada por esta mulher e seus filhos, que estão à margem, que não são alcançadas pelo Estado. Além disso, a presença da lamparina real, comprada numa feira da cidade, elemento por assim dizer conceitual cuja confecção antecede ao tempo de execução da obra e cuja função real é usurpada para assumir na obra a mesma função, porém, simbólica, embora pintada de preto com a mesma tinta com que foi pintada as zonas escuras da imagem, representa no plano bidimensional o ponto de onde emana a luz na cena fotográfica. Mas não somente isso, minha intensão foi tornar esse “apêndice” uma representação de minha própria externalidade física e social à cena, enxergando-a por meio da minha câmera fotográfica. A lamparina é uma referência da “luz” invisível que nos faz decidir no avançar do tempo o instante fotográfico a ser definitivamente retido.   

sábado, 11 de abril de 2015

REVIVESCÊNCIA ARTÍSTICA: O centenário da chegada do pintor José de Paula Barros à São Luís.

“– Era segunda-feira, 5 de abril de 1915, um dia comum para a população da velha cidade de São Luís, a mesma rotina, o mesmo clima, a mesma paisagem. Da Praça João Lisboa era possível ouvir aquele som característico de apitos dos vapores, vindo da direção do porto, um dos locais onde a vida era mais intensa na cidade, com constantes embarques e desembarques de pessoas e produtos. Naquele dia, a rotina não era diferente, havia uma movimentação frenética de passageiros e embarcadiços transportando todo tipo de mercadorias e bagagens.
Em meio àquela agitação toda, um senhor alto, magro, bem vestido, recomendava aos embarcadiços para terem cuidado com suas bagagens. O seu nome: José de Paula Barros, ou simplesmente Paula Barros. Pintor, desenhista, decorador, arquiteto e fotógrafo. Ele acabara de chegar de Belém, no paquete Pará.”

José de Paula Barros



Desse modo é narrada a chegada do artista Paula Barros ao Maranhão no livro Revivescência, obra inédita do autor deste artigo, que resgata do esquecimento o mais importante precursor do ensino e produção artística na São Luís das primeiras décadas do século XX. 
 José de Paula Barros (c.1883-1926) era cearense, mas chegou ao Maranhão, procedente de Belém do Pará. Ele era um artista renomado, havia estudado em Paris, e em Fortaleza havia participado da decoração interna do Teatro José de Alencar. Em São Luís, criou ainda em 1915 uma escola de desenho e pintura que funcionava no prédio que atualmente é sede da Academia Maranhense de Letras. 
antiga sede da Escola de Desenho e Pintura de José de Paula Barros (atual sede da Academia Maranhense de Letras)

Posteriormente, em 1922, ele participou da fundação da Escola de Belas Artes do Maranhão, onde coordenava e ensinava desenho e pintura.
Primeira sede da Escola de Belas Artes do Maranhão e do Casino Maranhense. 

Na São Luís das primeiras décadas do século XX, Paula Barros teve relevante importância na formação de artistas plásticos. Foram seus alunos: Arthur Marinho, Evandro Rocha, Levi Damasceno, Rubens Damasceno, Hilton Aranha, Telésforo de Moraes Rêgo Filho, Amena Varella, Beatriz Varella e vários outros jovens que buscaram formação artística na sua escola, no seu ateliê ou na Escola de Belas Artes.

Retrato de Achiles Lisboa - foto crayon de José de Paula Barros
Retrato de Marcelino Marchado - foto crayon de José de Paula Barros
 Além do ensino, ele produziu dezenas de obras de arte, principalmente retratos a óleo, crayon e foto-crayon; e abriu duas lojas de material artístico: Moldura Elegante e Casa Paula Barros.
Casa Paula Barros (ficava localizada na Rua do Sol. Foi demolida e no seu lugar construíram o Edifício Colonial)

Quando chegou ao Maranhão, Paula Barros era divorciado de Francisca “Jacy” Leal de Miranda com quem teve cinco filhos: Neópolo, Murilo, Rembrandt, Rubens e Rafael, os quatro últimos receberam nomes de artistas famosos da História da arte devido à paixão que ele cultivava pela pintura.
Amena Varella (Amina Paula Barros)
Em 1917, ele casou com a sua ex-aluna Amena Carmem Varella (26/03/1897 – 26/01/1953), que anos depois adotaria o nome artístico “Amina Paula Barros”. Tiveram quatro filhas: Maria de Lourdes, Zilda, Maria Frassinetti e Maria de Nazareth.
Bandeja decorada internamente na técnica Louzimana

José de Paula Barros faleceu precocemente, aos 27 de fevereiro de 1926, vítima de uma crise de enfisema pulmonar. Quanto à Amena, esta também se tornou professora, artista e comerciante; criou uma técnica de pintura intitulada LOUZIMANA (nome formado a partir das letras/sílabas iniciais dos nomes das suas quatro filhas: Lourdes, Zilda, Maria Frassinetti e Nazareth.); 
fundou a Escola Paula Barros; realizou exposições em diversas partes do país; e é considerada a primeira mulher a ter destaque no panorama artístico maranhense.
Foz do Rio Anil - José de Paula Barros


Foz do Rio Anil - Amina Paula Barros



 Hoje, 5 de abril de 2015, não deveria ser um dia comum para a população da velha cidade de São Luís, e sim um dia para lembrarmos do centenário da chegada de José de Paula Barros por toda a sua contribuição para o panorama artístico maranhense no século XX. No entanto, ele e Amena Varella são lembrados apenas por seus descendentes e pelos poucos estudiosos da história da arte no Maranhão.

(Artigo publicado na edição do dia 05/04/2015 do jornal O Estado do Maranhão/Alternativo)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

REVIVESCÊNCIA: a vida e a arte dos Paula Barros


BREVE NAS MELHORES LIVRARIAS



PRÓLOGO

                Era uma quarta-feira chuvosa em São Luís. Eu me dirigia apressadamente ao Arquivo Público, na Rua de Nazaré, para devolver ao pesquisador Luiz de Mello um exemplar da sua “Cronologia das Artes Plásticas” que estava comigo.  Assim que cheguei à Rua Portugal a chuva interrompeu a minha viagem. Com medo de molhar o livro, busquei abrigo. Por sorte consegui chegar até o Museu de Artes Visuais. Cumprimentei alguns amigos que trabalham lá, e para passar o tempo subi para rever o seu velho acervo e verificar se havia alguma obra exposta que eu ainda não conhecesse.
          Chegando ao segundo pavimento corri os olhos pela sala principal e reconheci todas as obras. Decidi então observar de uma das janelas da sala a chuva torrencial lavando os telhados dos velhos casarões da Praia Grande. Fiquei alguns minutos hipnotizado nessa contemplação quando algumas vozes vindo do lado direito da sala despertaram a minha atenção. Observo Seu Bartô[1] acompanhado por dois estagiários (guias/mediadores) do Museu.
         O diálogo entre eles era motivado por uma velha tela retangular que representava uma vista panorâmica de São Luís a partir da foz do rio Anil. Era uma pintura de Amina Paula Barros, importante artista maranhense da primeira metade do século XX. Já cansado de ver a chuva castigar os telhados resolvi me aproximar dos três e pedi licença para participar da conversa:
         – Olá Seu Bartô, tudo bem?! – Oi João Carlos!– respondeu ele, e em seguida me apresentou a Marta e Paulo, os dois estagiários.
         – O João Carlos é um pesquisador da arte maranhense, talvez ele possa tirar a nossa dúvida! – Essa edificação com palmeiras à frente representada na pintura é o Convento das Mercês ou o Palácio dos Leões? – perguntou Seu Bartô.
         – É o Palácio! – respondi com convicção.
– Eu havia falado que era o Palácio. – comentou Seu Bartô – Mas eles questionaram se não seria o Convento das Mercês.
Expliquei detalhadamente porque era o Palácio e comentei que já pesquisava aquela artista e as suas obras há bastante tempo. Ela, inclusive, havia sido tema de uma monografia de graduação do Curso de Licenciatura em Educação Artística da UFMA, de Cinthia[2], uma amiga minha.
         Quando eu falei que Amina fora casada com um famoso artista cearense que havia trabalhado na decoração interna do Teatro José de Alencar, em Fortaleza, eles se interessaram pelo assunto. E como a chuva não dava nenhum sinal de que iria parar nas próximas horas, decidimos sentar ali mesmo para conversarmos sobre Revivescência: a vida e a arte dos Paula Barros, um pequeno livro que eu estava concluindo sobre o casal José e Amina Paula Barros.






[1] Bartolomeu Falcão Mendes (1956), funcionário do Museu.
[2] No ano de 2008, Cinthia Naila Corrêa Frazão defendeu a Monografia: “Amina Paula Barros (Amena Varella) e a presença feminina nas artes plásticas maranhense na primeira metade do século xx”, no Curso de Licenciatura em Educação Artística da Universidade Federal do Maranhão.  Habilitação Artes Plásticas. Obteve nota 10.

sábado, 26 de abril de 2014

IV ICONOGRAFIA - ICNOS 10 ANOS (2003-2013)

o ano de 2013 iniciou com São Luís ainda escondida sob a poeira das obras inacabadas prometidas para o seu quarto centenário (segundo a história oficial) em 2012. A Via Expressa, a Avendia Quarto Centenário e o VLT quem lembra dele?............

CONTINUA


terça-feira, 1 de abril de 2014

ICONOGRAFIA III - 2008 (CONVIVÊNCIA)

Após o êxito da exposição de 2007, nos sentimos motivados para realizarmos outra em 2008, desta vez na Galeria do SESC. Além dos artistas da mostra do ano anterior, tivemos o retorno de Raimunda Fortes e convidamos Monica Farias e Francisca Costa que trabalhou em parceria com o professor Wallace Lima. A temática daquele ano foi convivência.  Procuramos abordar diversas formas de convivência na urbi: com a história, com a mobilidade ou imobilidade, com a violência e algumas outras mais...

Adrianna produziu dois trabalhos, o primeiro deles, um enorme quebra-cabeça feito com piche sobre papelão representava aspectos da malha viária da cidade com seus eternos problemas.

O segundo trabalho era uma torre com base de ferro lembrando raízes de mangue e também formas sinuosas dos gradris coloniais da cidade. A parte superior era composta por máscaras de durex representando a convivência espontânea ou forçada da população.



Beto Nicácio no seu trabalho "Sem título" utilizou-se de dois elementos simbólicos de banheiro: a lixeira  e o papel higiênico, ambos são recorrentes à limpeza ou sujeira, dependendo do contexto a que sejam aplicados. no caso da obra de Beto, seria a segunda opção, pela sua indignação com as diversas sujeiras presentes em São Luís: a má educação, a corrupção, a violência e tantas outras.
Uma segunda leitura da obra é estabelecida pelo próprio artista, seria a relação entre depósito bancário e "depósito" em vaso sanitário (ato de defecar).


Instalação s/título - beto Nicácio



Francisca Costa e Wallace Lima abordaram o pseudo título Atenas brasileira atribuído a São Luís. Segundo Francisca:
 APENAS MARANHENSE" Francisca Costa
Convivência com enfoque direcionado em olhares críticos à poluição visual. Expressões que limitam a linguagem culta de nosso idioma e formas de pronunciação. Tida como uma das cidades com a lingua mais limpa e livre de sotaques São Luís se orgulha de intitular-se Atenas Brasileira. Contraste em vistas seu histórico cultural como o da terra em que trouxe Odorico Mendes, tradutor da Ilíada, obra de Homero tida como fundadora da tradição literária ocidental.
O termo parte de um período de ascensão na economia e conseguintemente na cultura. (Jorge Leão).A Estrutura física: Um Móbile que traz ao centro um lampião (memória cultural / contemporâneo) com fotografias penduradas.
Fragmentos e letreiros com erros de construção gramatical, expostos em prédios pela cidade, apontados pelos alunos da Escola Rubem Almeida em uma aula extraclasse.
A obra propõe uma interação direta com o fruidor que à medida que observa as fotografias, dialoga com sua própria imagem refletida em espelhos no móbile e seu papel como cidadão formador de opiniões. Há ainda um letreiro com letras manipuláveis com ímãs ao seu centro que faz um convite à ordenação de palavras além das expostas como o trocadilho ATENAS e APENAS.

João Carlos Pimentel - Convivência em transi tu - objeto 

"Que perguntas e que respostas se pode ter a respeito do trânsito de São Luís? E de que forma convivemos com isso no nosso dia-a-dia!? No seu trabalho CONVIVÊNCIA EM TRÂNSI TU, João Carlos buscou expressar um pouco desse tormento pelo qual, quase todos nós, somos obrigados a passar cotidianamente em São Luís.A obra é materializada numa pequena placa de fibra de madeira prensada tingida com piche e preenchida ao longo de toda a sua extensão com números de placas de carros nos dois sentidos de um avenida, entrecortados por um canteiro ocupado para as mais diversas finalidades.Como últimos elementos aparecem os fragmentos de fita gomada representando tudo o que vive prendendo ou prendendo-se ao trânsito: a imprudência, a fadiga, o estresse, as barreiras, os acidentes, os assaltos, os pedintes, os pedestres e tantas outras categorias impregnadas na dinâmica das ruas e avenidas de São Luís" (notas do artista).



Objeto: "APRENDER A SER E A CONVIVER " Maciel Pinheiro



"Inspirado na violência urbana ludovicense. É um protesto e contra o excesso de gente na cidade e no planetaÉ um tributo à natureza humana (não há nada mais mortal e destrutivo do que o ser humano, a violência é o único meio de pelo qual evoluímos). É uma alusão à hipocrisia dos que são a favor do desarmamento" (notas do artista).













Instalação: "FRAGMENTOS: ÍCONES DA ICONOGRAFIA URBANA DE SÃO LUÍS" Monica Rodrigues


"A utilização de recursos visuais fotográficos com registros de locais conhecidos ou não, mas presentes no cotidiano ludovicence, incorporado a um suporte comumente conhecido para uso de calçamento. Locais de percurso de pedestres que são sujeitos ativos que andam a maioria das vezes com os olhos voltados para o chão e um olhar fugaz, insuficiente para dar conta das visualidades de nossa iconografia urbana. De um Projeto denominado Analogias da Arte realizado com alunos do CEGEL em 2003. Trabalha História da Arte observando a realidade de nossa cidade e sua estética urbana.


Pesquisa in loco, numa expedição cultural e o uso do registro fotográfico de locais às vezes passados despercebidos no corre-corre diário das pessoas. As visualidades registradas nesta ocasião continuaram gerando novos conceitos e possibilidades de enfoque de construção plástica, daí o novo trabalho: Fragmentos". (notas da artista).


Instalação"NEWTON SÁ, POR ONDE ANDARÁ? " Raimunda fortes

"Pessoas foram fotografadas com a pergunta "Por onde andará" em lugares nos quais existiam duas obras públicas de Newton Sá (artista maranhense que completaria 100 anos em 2008). Como essas obras já desapareceram e não existem registros do que aconteceu com elas, o tecido preto está recobrindo a imagem delas deixando ver por uma abertura apenas uma cruz que representa a morte delas para o público e as pessoas que continuam sem uma resposta para a sua indagação" (notas da artista).





Instalação: "LEMBRANÇAS DE SÃO LUÍS" Regis Costa Oliveira
Normalmente, os trabalhos de Régis são autobiográficos, intimistas e viscerais. Nas "Lembranças" estas recorrências também estão presente. É uma produção que faz uma justaposição simbólica entre o passado histórico e o presente incerto. A obra possui formato de tapete azulejar oitocentista composto em padrão 2x2, reconfigurado com a imagem de 8 revólveres  que fazem alusão à imagem de reféns de braços abertos, numa clara referência  à excessiva violência presente em São Luís.



Obs.: as imagens e os textos "notas do artista" foram extraídos do blog da Francisca Costa:  http://frarte.blogspot.com.br/  em 22/8/2014

segunda-feira, 3 de março de 2014

ICONOGRAFIA URBANA DE SÃO LUÍS II- 2007

Havia uma grande expectativa para o ano de 2007, era o início do governo de Jackson Lago (1934-2011). Finalmente um governador não pertencente ao grupo Sarney...
Com a mudança de governo mudou-se a administração dos museus, inclusive a minha amiga Elisene Matos assumiu a administração do Museu de Artes Visuais (MAV), e isso para mim foi muito importante pois tive mais acesso àquele museu. O MAV possuía então a mais bela galeria de arte da cidade, a Galeria Nagy Lagos, com seus magníficos arcos coloniais. Era um espaço muito mal aproveitado, mas era um espaço da arte. Quando Roseana Retomou o poder, essa galeria foi transformada numa sala comum da Secretaria de Cultura. Mas voltemos à nossa Iconografia de 2007: Adrianna Karlem possuía uma pauta de exposição na Galeria Nagy Lajos e ela gentilmente cedeu para o Icnos. chamamos todos os membros originais do grupo, mas infelizmente Heleno Fournier e Raimunda Fortes não puderam participar. Convidamos outras duas pessoas que acabaram desistindo também e assim a exposição de 2007 foi composta por Adrianna, Maciel, João Carlos, Régis e Beto Nicácio que já estava apalavrado com o grupo desde a exposição de 2003. A exposição foi realizada durante o mês de setembro pelos motivos já explicados no post da exposição de 2003. Mas antes da exposição, Adrianna, Maciel e eu realizamos na madrugada do dia 8 de setembro de 2007, uma intervenção (idealizada por Adrianna) em algumas ruas da Praia Grande, colocando faixas e laços pretos em alguns prédios históricos com mensagens de protesto e denuncia extraídas de um manisfesto que eu escrevi para aquele evento e que reproduzo aqui: 

 SÃO LUÍS, PARABÉNS OU RÉQUIEM. 
 Por quantas noites frias tuas ruas, becos e casarões agonizam no descaso e abandono de teus governantes e moradores? Onde estão os transeuntes que te usam como uma velha prostituta de 395 anos? Ai de ti São Luís, vítima de um passado que insiste em ser presente na memória e no discurso daqueles que maculam as tuas paredes com a tinta da farsa, do engodo e da falsa valorização. Bem vinda ao teu passado, dele retornam franceses, ingleses, portugueses, espanhóis e até italianos... Estão todos aqui! E juntos te conduzirão ao jazigo dos infelizes indigentes. São Luís eu não te reconheço, estás acabada, nem parece a descrita e exaltada por cronistas, poetas e cantores. Hoje as rugas consomem a tua beleza, os maus tratos te aleijaram e a menor das chuvas de outono é capaz de destruir parte de ti. Agora pergunto: quantos estarão ao teu lado quando decidires renascer? Quantos enxugarão tuas lágrimas quando forem cantados os parabéns e você chorar, não apenas de emoção, mas principalmente pelas chagas que carregas por teus longos anos de existência. Parabéns, São Luís! Aqui deixamos os nossos votos de vida longa. Mas aqui deixamos também os nossos protestos contra quem a muito te abandonou. 
 Grupo Icnos

Quanto à mostra, Adrianna ocupou um comodo da galeria com uma instalação representando um comércio, cujos produtos eram casarões engarrafados e com preços em dólares e euros. Uma crítica segundo ela, à comercialização dos casarões para estrangeiros que pouco fazem para revitalizá-los.

Maciel produziu uma instalação intitulada: As águas eternas do Jardim São Cristóvão II, com garrafas representando as águas não potáveis que escorrem eternamente pelas ruas da cidade de São Luís sem que nada seja feito pelo poder público ou população que também colabora para a sua existência;
Beto, produziu "Às moscas e baratas", objeto representando azulejos relevados manipuláveis que possuíam na sua parte posterior, dezenas de baratas, numa crítica contundente ao descaso e à falta de higiene tão explícitos em São Luís;


Eu produzi uma instalação    com uma porta de geladeira encaixada em um nicho de portal da galeria, e que poderia ser manipulada. Era um trabalho mais intimista voltado para esse eletrodoméstico tão simbólico e significativo nos lares da cidade;

E finalmente Régis com o seu objeto "Happy Day", produzido com um tonel/latão com plotagens em preto e  branco alusivo à imagem de uma cidade entregue ao abandono e às baratas. na parte interna, no centro do tonel havia uma imagem do artista em pose "relaxada".

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ICONOGRAFIA URBANA DE SÃO LUIS - 2003

Imagem do convite da Iconografia 2003
Nos primeiros meses de 2003 formamos o grupo, idealizamos a temática e o título da mostra, conseguimos o espaço (Galeria Sesc)... eu não sei se Betânia Pinheiro ainda lembra, mas à época eu havia lhe convidado para ser a curadora do grupo, mas ela foi chamada pelo Sesc para trabalhar na Galeria  e não pode aceitar ...
bom, definimos  o período da exposição para o mês de setembro por ser o mês de aniversário de São Luís.Tudo se encaminhava bem: marcamos algumas reuniões para alinhar ideias, mas algumas não obtiveram êxito, lembro que marquei, não sei por qual motivo, uma reunião não praça Odorico Mendes, ...não sei devido a outros compromissos, por medo de assaltos, ou por outros motivos, mas o certo é que só apareceram eu e Maciel. 



TAPUME (detalhe)- João Carlos
 ...faltando poucos dias para o início da exposição, Beto Nicácio me procurou demonstrando interesse em participar do grupo - falei que para aquela mostra não daria mais tempo, mas que na próxima com certeza ele seria bem vindo.

Uma cidade como outra qualquer (detalhe) - Maciel
 Finalmente, a exposição: Heleno surpreendeu a todos com uma instalação feita com latinhas de Guaraná Jesus (não consumidas); Maciel abordou por meio da instalação "Uma cidade como outra qualquer I, II e III" a cultura atrelada aos vícios, drogas, prostituição;
o Régis produziu uma Amarelinha com os espaços preenchidos com pregos longos e afiados numa leitura alusiva, analógica, intimista e autobiográfica da violência na cidade de São Luís; Raimunda Fortes materializou por meio de uma plotagem fotográfica o olhar de um bêbado em uma esquina do Centro Histórico;
Valores que reluzem - Adrianna Karlem
O Centro Histórico também se fez presente na obra de Adrianna Karlem, um enorme painel representando um mapa da Praia Grande intitulado "Valores que Reluzem"; quanto ao meu trabalho, montei um tapume de madeirite interligado através de um furo a um periscópio na parte posterior que mostrava uma pessoa defecando, algo bastante corriqueiro nas ruas da área histórica da cidade, se você não olha o sujeito em vias de fato, seguramente terá o desprazer de cruzar com a sua "obra".

GRUPO ICNOS 10 ANOS

A partir de 1996 quando foi realizada a última Coletiva de Maio, eu me tornei figura assídua em eventos de artes visuais em São Luís, em 1998, fui convidado por Jeanne Nunes para ser mediador (à época, o termo era monitor)na Galeria Sesc. E no ano seguinte trabalhei como estagiário. Paralelo a isso frequentava dos eventos do DAC/UFMA e da FUNC. No primeiro, participava das mostras de Humor e também assistia aos festivais de poesia falada, e normalmente, algumas peças e ensaios do GUT (Grupo Universitário de Teatro). Bons tempos aqueles, visitava ali mesmo no DAC, os ateliês de Marlene, Paulo Cesar e Ciro Falcão...nessa época conheci Adrianna Karlém; acompanhei algumas exposições de Raimunda Fortes, e uma do Régis Oliveira. em 1999 e 2000 fui prêmiado na Mostra de Humor na categoria cartum. Em 2000, inclusive, trabalhei na da Mostra Brasil +500 anos no Convento das Mercês, lá pude ver outro trabalho do Régis e também Adrianna, além é claro de vários outros artistas. A Mostra no Convento encerrou em 2001, e naquele ano fui premiado na Func na categoria pintura, continuava frequentando a Galeria Sesc; ...ia esquecendo no início de 2001 aconteceu um ENEARTE em São Luís e Monica Fárias me convidou para organizarmos as duas exposições artísticas do evento, a dos convidados de outros estados no DAC e a dos artistas maranhenses na Galeria Sesc, detalhe, no DAC não tem elevador e os artistas convidados eram todos cadeirantes, houve uma revolta geral da parte deles, mas graças a Deus tudo foi superado e as duas exposições foram realizadas com exito, lembrei ainda que Gilvania Abreu montou comigo a exposição no DAC, enquanto que Mônica ficou responsável pela do Sesc. ...Bom, vivendo em meio a tanta efervescência, convidei os amigos de longa data Maciel Pinheiro e Heleno Fournier, e mais Adrianna Karlem, Raimunda Fortes e Regis Oliveira para formarmos um grupo de artistas com propostas, abordagens e produções contemporânea. Sugeri o nome Iconografia Urbana de São Luís para a nossa exposição e ICNOS para o grupo...CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

HIBERNANDO

Há alguns meses que não apareço por aqui para fazer novas postagens, mas espero em 2014 trazer algumas novidades, principalmente sobre o panorama atual das artes visuais no Maranhão. Quem sabe talvez ainda este ano eu consiga postar algo sobre o IV Salão de Artes de São Luís que depois de se arrastar por incontáveis meses finalmente será aberto.

domingo, 16 de junho de 2013

ARTE MARANHENSE NOs SÉCULOS XX E XXI

A arte dos anos de 1970 em São Luís


                   Na década de 1970, a cidade de São Luís foi beneficiada no campo artístico, com a criação alguns núcleos, salões e centros de produção e formação artística, sendo os principais, o Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís[1], criado em 1955 por lei municipal. Mas realizado somente a partir de 1974 pela Prefeitura de São Luís, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FUNC).
No governo de Pedro Neiva de Santana (1971-1975) foram criados pela Primeira-Dama Eney Tavares de Santana, o Núcleo de Tapeçaria em 1972, localizava-se no Palácio dos Leões;  e a Galeria Eney Santana, criada na mesma época, era situada no Teatro Arthur Azevedo.
Em 1970 foi criado na Universidade Federal do Maranhão, o curso de Desenho e plásticas[2], contribuindo para a formação de artistas como Rosilan Garrido, Ana Borges, Lobato, Donato, Paulo César, Eugênio Araújo e outros.    
Foi criado o Centro de Artes e Comunicações Visuais do Estado (CENARTE), em 1979, pelo governador João Castelo, com objetivos de intercambiar os artistas locais com artistas de outros estados. Além de promover cursos e oficinas, foi posteriormente transformado no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho.
Em 1972, Rosa Mochel, Fátima Frota e Péricles Rocha idealizaram um centro de artes que foi criado pelo prefeito Haroldo Tavares. Este centro recebeu o nome Japiaçu, em homenagem ao já comentado líder tupinambá.
A arte de São Luís desse período foi favorecida ainda pela chegada do artista húngaro Nagy Lajos Endre (1925 –1989). Ele foi professor de vários jovens artistas e contribuiu também para a criação da Associação dos Artistas Plásticos do Maranhão em 1976[3]. Seu atelier, na Rua dos Afogados, era  ponto de encontro para discussão, troca de ideias e aulas de pintura.
Os principais nomes desse período são: José de Jesus Santos (1950), pintor e gravador; Marlene Barros Ribeiro (1952) trabalha com várias técnicas e estilos; Airton Marinho Macedo (1952), gravador na técnica da xilogravura; Péricles Augusto Almeida Rocha (1946), pintor, desenhista e escultor; Francisco de Sousa Ferreira - FRANSOUFER (1958), pintor e escultor.  Luís Carlos Lima Santos (1940), escultor e artesão; Ciro do Espírito Santo Falcão (1952), pintor, poeta e gravador; Rogério Martins (1956), pintor e professor de desenho e pintura; Dileuza Diniz Rodrigues (1939), pintora e gravadora (litografia).

A arte Gororoba

         No final dos anos de 1970, alguns jovens artistas maranhenses engajados com causas políticossociais realizaram algumas exposições artísticas intituladas Gororoba. A respeito dessa época, Costa informa que,

A arte da década de 1970 foi conduzida por temas que mobilizaram a sociedade em seu contexto cultural como: repressões sociais, o sentimento de euforia provocado pelos avanços da tecnologia, o consumismo e a desigualdade social, além do sentido de revolta e protesto, característicos das insatisfações políticas.[4]

Com esse pensamento e finalidade, os artistas Murilo Santos, Ciro Falcão, Joaquim Santos, João Ewerton e César Teixeira montaram em junho de 1977, na Galeria Eney Santana, a mostra de arte Gororoba com trabalhos em cerâmica, cinema, fotografia, gravura, desenho, pintura e instalações abordando temáticas de denúncia e protesto, causando certo estranhamento naqueles que foram apreciar os trabalhos. 
Em 1978, na mesma galeria, aconteceu a segunda Gororoba. Para maior compreensão dessa exposição, reproduzimos na integra a matéria do Jornal O Estado do Maranhão, de 17 de junho de 1978, p.9:

HOJE TEM GOROROBA? TEM SIM SENHOR[5]

Hoje, às vinte horas será aberta na galeria de arte “Eney Santana”, anexa ao Teatro Artur Azevedo, a II GOROROBA – exposição de trabalhos de quatorze artistas maranhenses. O salão a ser apresentado ao público de São Luís reúne, entre outras formas de arte, a pintura, escultura, cartuns, pirogravuras e o cinema, havendo em cada trabalho a preocupação de mostrar um momento sócio-cultural do povo maranhense.
Reunidos na noite passada, os expositores discutiam os últimos pontos da mostra e davam os retoques finais na disposição das peças na galeria. Tendo como temática o enfoque social e sua problemática, a segunda Gororoba visa ser uma opção para os artistas maranhenses comprometidos com a sua realidade exibirem seus trabalhos de uma forma mais liberal e, acima de tudo, responsável.
- O começo –
Entre 25 de junho a 10 de julho do ano passado realizou-se a Primeira Gororoba com a participação dos artistas plásticos João Ewerton, Joaquim Santos, César Teixeira, com trabalhos em cerâmica e pintura, além do fotógrafo Murilo Santos. A exposição foi, naquela época, uma experiência muito rica para esses artistas que puderam fazer uma reflexão sobre o trabalho, baseados na forma como eles foram captados pelo público visitante. Era uma forma de trabalho popular, “sem apelar para o popularesco” – como definiu um artista local.
O fotógrafo Murilo Santos, um dos participantes da primeira Gororoba nos fala que essa experiência de agora “é a continuidade da primeira. Claro que ela se renovou, explorando os temas de uma forma mais objetiva. Demos também um sentido de maior abertura para quem trabalha com a cultura em São Luís. Procuramos desta vez convidar mais pessoas para participar da exposição, considerando que a Gororoba não é uma mostra fechada, de uma pessoa ou outra, mas de quem dela quiser participar, dentro da linha de trabalho definida pela maioria, com uma arte engajada na nossa realidade”. Com um grupo de pessoas que chega a superar o dobro da do ano passado, a Segunda Gororoba é mais uma vez realizada sem nenhuma ajuda oficial. “Tudo está sendo realizado pelo esforço de cada um, o que indica que a coisa é produzida com maior liberdade”. – conta outro participante.
-revista e super oito-
Além das expressões de arte, em várias expressões, será lançada durante a mostra uma revista organizada por seus participantes, que conterá matérias de interesse, abordando dentre outros assuntos, a temática utilizada na exposição.
São responsáveis pela revista os universitários de Comunicação Social, Euclides Barbosa Moreira Neto, e Antonio Carlos Gomes de Lima e o universitário de Direito, Luís Carlos Santos Cintra.
Serão exibidos também alguns filmes em super-8. Luís Carlos Cintra mostrará “Fábricas”, Euclides Moreira, “Mutação”, “O Edifício São Luís” e um documentário sobre habitações na periferia da Ilha.
Miguel Veiga, Joaquim Santos, Roldão Lima, João Ewerton, Murilo Santos, César Teixeira, Ribamar Cordeiro, Cruz Neto, Érico, Paulo César, Chico Franco e Edgar Rocha são os expositores da Segunda Gororoba, que será aberta neste próximo sábado. A entrada é franca para os interessados e o público em geral.

Segundo Murilo Santos [6] esse mesmo grupo realizou um salão de humor que foi fechado pela polícia. O salão foi organizado no Museu Histórico e antes de abrir, um censor proibiu a maioria dos trabalhos de serem exibidos. Então o grupo decidiu não abrir a exposição. Porém, Murilo relata que esta atitude acabou causando um grande frisson porque foi aberto veladamente e muita gente foi olhar e acabou tendo uma repercussão grande, o primeiro salão de humor. 
A arte após 1980 em São Luís 
         A ludovicense atual é bastante variada, existem artistas trabalhando diversas linguagens, mesclando técnicas, estilos e propostas. A esse panorama pertencem: Paulo César Alves de Carvalho, Miguel Estefânio Veiga Filho, Rosilan Mota Garrido e Edson de Jesus Mondêgo.
Além dos nomes citados, são reconhecidos atualmente: Donato, Lobato, Cordeiro do Maranhão, Fábio Vidotti, Cláudio Costa, Adiel Belo, Ana Borges, Ednilson Costa, Raimunda Fortes, Regis Costa Oliveira, Adrianna Karlem, Maciel Pinheiro, Thiago Martins, Nadilton Bezerra, Edivaldo di Jesus, Amâncio de Aquino, Valdinano, Herbert Reis, Alain Moreira Lima e outros. 

A Coletiva de Maio 

De 1991 a 1996, a Universidade Federal do Maranhão, realizou no Convento das Mercês, a Coletiva de Maio, principal evento do campo das artes visuais em São Luís, na década de 1990. Teve nos dois primeiros anos, a seleção das obras premiadas por júri popular; nos dois anos seguintes, júri popular e técnico; e nos dois últimos anos, somente júri técnico. Prestou homenagens a Maia Ramos em 1995 e a Floriano Teixeira em 1996.
Essa Mostra possibilitou o acesso ao que havia de mais novo nas artes visuais em São Luís e propiciou aos artistas, oportunidade de mostrarem suas obras a um grande público.

A Mostra do Redescobrimento Brasil + 500 anos
        
Em 2000, a Fundação Bienal de São Paulo[7] montou a Mostra do Redescobrimento Brasil + 500 anos, como parte das comemorações dos 500 anos do início da colonização portuguesa no Brasil.
Essa mostra era dividida em 12 Módulos: Arqueologia, Artes Indígenas, Arte Popular, Barroco, Século XIX, Olhar Distante, Arte Moderna, Arte Contemporânea, Arte Afro-brasileira, Negro de Corpo e Alma, Imagens do Inconsciente e Carta de Caminha (com páginas da Carta de Pero Vaz de Caminha e releituras da Carta executadas por doze artistas brasileiros e doze artistas portugueses).
         A cidade de São Luís recebeu no Convento das Mercês, no período de dezembro de 2000 e julho de 2001, uma amostragem dessa exposição, com obras de todos os módulos da exposição original montada em São Paulo.
Dessa exposição participaram os artistas maranhenses: Ciro Falcão, Donato, Miguel Veiga, Marlene Barros, Edivaldo de Jesus, Adrianna Karlem, Thiago Martins, Edina Scarpati, Régis Costa Oliveira e Rosilan Garrido com obras selecionadas por meio de uma comissão julgadora e que representavam releituras da Carta de Caminha. As quais substituíram, a partir de março de 2001, as releituras anteriores.
         A Mostra do Redescobrimento foi um expressivo evento em artes visuais realizado em São Luís e permitiu ao público,[8] especialmente aqueles que não tem o hábito de visitar museus e galerias, uma oportunidade rara de ver obras de artistas conceituados como: Pedro Américo, Amílcar de Castro, Celso Antônio de Menezes, Lasar Segall, Leon Righini e Victor Brecheret.

Mostra Artística Oito de Março

Esta Mostra é realizada no mês de março, em São Luís desde 2003, por um grupo de mulheres artistas para chamar a atenção da sociedade para aspectos ligados ao “universo feminino, e através de um primeiro contato com a obra o espectador vai sentir um estranhamento, mas em seguida pretendemos levá-lo a um questionamento, que esperamos leve a uma mudança de comportamento.[9]
O grupo era formado por oito artistas: as fundadoras, Marlene Barros, Rosilan Garrido, Ana Borges, Romana Maria, Dila e Edina Scarpati. Posteriormente juntaram-se a elas Adrianna Karlem e Renata Jatahy (falecida em 2009). Ao longo dos anos elas têm abordado vários temas ligados ao universo feminino, por meio de instalações, objetos, vídeos, telas e outras formas de expressão artística. Segundo as palavras de Marlene Barros[10] a cronologia dessas mostras até o ano de 2007 foi a seguinte:
No ano de 2003, o título (tema) foi A SEDUÇÃO. Uma questão presente no cotidiano feminino, e que foi abordada por diversas formas.
Em 2004: – O BANQUETE – “foi um trabalho muito prazeroso, realizado na Galeria do Palacete Gentil Braga onde cada artista realizou uma obra comestível. Toda a comilança foi filmada e transmitida simultaneamente num telão na galeria.”[11]
No ano seguinte (2005), o título foi: – O GRITO. As mulheres artistas e convidados realizaram uma passeata silenciosa pela Rua Grande. Cada mulher usava uma tarja preta amarrada na boca, com a palavra Grite, escrita em branco; e distribuição de panfletos escritos pelas artistas.
CALCINHAS foi o tema\título de 2006: as artistas foram para a Praça Nauro Machado expor cerca de mil calcinhas, “entregues anteriormente a mulheres de várias classes sociais, que fizeram várias obras  e nos devolveram, cada uma dentro do seu universo e de suas limitações, um trabalho para a  exposição;”[12]
No ano seguinte, “voltamos à Galeria Nagy Lajos por uma causa nobre, reabrir a galeria com a exposição: SEGUNDA PELE, onde cada artista trabalhou o vestido sobre várias ópticas;”[13]
Esse grupo de artistas continua anualmente realizando suas exposições e defendendo o espaço feminino na sociedade. No ano de 2010 prestaram uma homenagem à Renata Jatahy falecida no ano anterior.   
Outras iniciativas vem acontecendo no campo das artes visuais nos dias atuais na capital maranhense, como é o caso do Salão de Artes Plásticas de São Luís, que em 2012 realizou a sua terceira edição.




[1] Em 2010 foram extintas as categorias de pintura e escultura, que passaram a compor o Salão de Artes Plásticas de São Luís. Foi, no entanto incluída uma premiação para trabalhos de pesquisa sobre artistas, obras e períodos da arte maranhense.
[2] Na década de 1980 se transformaria em Curso de Licenciatura em Educação Artística com habilitação em Desenho e Artes Plásticas. Atualmente existem três graduações em Arte, na Ufma: Teatro, Artes Visuais e Música.  
[3] Ao lado dos artistas maranhenses Ambrósio Amorim, José João dos Santos Lobato e Jesus Santos.
[4]COSTA, Francisca da Silva. Grupo gororoba: uma mostra da produção artística contemporânea maranhense. Monografia (Especialização em História do Maranhão) – Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, 2005, p. 40.
[5] Matéria não assinada.
[6] ENTREVISTA concedida em julho de 2005. In: Costa, 2005.
[7] - Posteriormente passou a ser coordenada pela Associação Brasil + 500 anos Artes Visuais.
[8] - Durante a visitação à Mostra, os visitantes eram acompanhados pelos monitores que contribuíam para a apreciação e leitura das obras expostas.
[9] ENTREVISTA concedida pela artista Marlene Barros, em setembro de 2007.
[10] Id. Ibid.

[11] Id. Ibid.
[12] Id. Ibid.
[13] Id. Ibid.